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Costa da Caparica

A ocupação da Costa da Caparica é recente. Até ao final do século XVIII, os seus residentes eram quase todos pescadores da região de Aveiro, mas apenas durante uma parte do ano. Mesmo na segunda metade do século XIX, quando os portugueses “descobriram a praia”, era mais fácil para a população de Lisboa ficar pela linha de Cascais e Estoril.

Hoje, as praias da Costa da Caparica estão entre as mais populares do país, atraindo em particular veraneantes de toda a Área Metropolitana de Lisboa, sobretudo depois de 1966, com a construção da Ponte 25 de Abril. A partir dos anos 60, a pressão urbana também acelerou, com as construções de segunda habitação a dispararem exponencialmente.


Caracterização

Entre 1950 e 2001, a população residente na Costa aumentou 344%. Aos residentes soma-se a população sazonal, aumentando em 65% o número de pessoas que frequentam a Costa. A par da população da Grande Lisboa, passaram ali a residir muitos habitantes provenientes dos concelhos da Margem Sul, trabalhadores das indústrias pesadas do arco ribeirinho do Tejo.

De acordo com os Censos de 2001, a população ascende acerca de 11 000 habitantes, a maior parte dos quais trabalha no sector terciário/serviços (mais de 70%). No entanto, persiste ainda alguma agricultura – nomeadamente nos férteis terrenos conhecidos como as “Terras da Costa”, a Sul do núcleo urbano, considerados de elevado potencial produtivo – e alguma pesca.

Os pescadores encontram-se na Fonte da Telha (no extremo Sul da Costa), dentro do núcleo urbano no Bairro dos Pescadores (bairro social) e alguns no Bairro do Campo da Bola – bairro social construído para realojar pessoas que habitavam na zona de construção do acesso da ponte 25 de Abril.


Erosão costeira e obras de defesa

Em 1959, na sequência do avanço do mar no ano anterior, foi construído o primeiro esporão de defesa da Costa da Caparica. Ao longo dos anos seguintes foi sendo instalado um campo de esporões, para defender o núcleo urbano em expansão, grande parte do qual estava a ser construído junto às dunas. Mais dois esporões e um paredão de protecção foram construídos em 1962 e 1963, mas ainda assim no ano seguinte o mar voltou a galgar a frente urbana. No início dos anos 70 havia já 7 esporões e um paredão de 2,5 km, mesmo em frente da vila.

Os anos 2000 trouxeram Invernos mais críticos e novos episódios de avanço do mar, que evidenciaram a fragilidade da situação na Costa da Caparica. Em 2003 e 2009, o mar avançou e destruiu boa parte de um parque de campismo em São João da Caparica, no extremo Norte do paredão e da frente urbana de praias. Os Invernos de 2007 e 2008 revelaram-se também particularmente agressivos na Caparica, com a destruição pelo mar de bares e restaurantes.

A frente urbana da Costa, para além do paredão e das dunas artificiais construídas no â
mbito do Polis, tem sido alvo de enchimentos artificiais em 2007, 2008 e 2009 pelo INAG. Embora estivessem previstos mais enchimentos em 2010, o INAG considerou que não eram necessários por “existir areia no sistema” e por se considerar que este estava a recuperar bem. No entanto, em 2011, já é visível que alguns concessionários da frente urbana ficaram sem areal, mas já foi anunciado que também este ano não haverá reenchimentos.


Nesta zona de intervenção, é o programa de requalificação Polis que determina os planos de praia (POOC Sintra-Sado). O Polis pressupõe um reordenamento do território, com a relocalização dos parques de campismo da zona Sul (Praia da Saúde) para mais longe da praia (PP5), o recuo dos parques a Norte e a demolição dos palheiros da Praia da Saúde. Estas decisões têm sido contestadas pelas associações que gerem os parques e pelos proprietários das casas.
Fora desta zona de intervenção mas dentro da nossa zona de estudo está a Fonte da Telha, uma mistura de habitações de pescadores e de segunda habitação, que foi alvo de demolições no final dos anos 80 e para a qual a Câmara de Almada está a elaborar um plano de reconversão, com financiamento comunitário.